Jaime do Farol

Alexandre Pereira

A Força do Voto para quem? Campanha do JJ levanta questionamentos após entrevista com Alexandre Pereira ser cancelada

Campanha defende representantes da região, mas entrevista cancelada com Alexandre Pereira levanta dúvidas sobre os critérios adotados.

A Força do Voto para quem? Campanha do JJ levanta questionamentos após entrevista com Alexandre Pereira ser cancelada
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O Jornal de Jundiaí (JJ) e a Rádio Difusora lançaram recentemente a campanha “A Força do Voto”, iniciativa que, segundo os próprios veículos, pretende ampliar o debate sobre a representatividade política da Região Metropolitana de Jundiaí nas esferas estadual e federal.

A proposta é legítima e aborda um assunto importante para Jundiaí.

Mas acontecimentos recentes também levantam uma pergunta que merece resposta:

se o objetivo é valorizar os candidatos da região e permitir que o eleitor conheça suas propostas, por que uma entrevista com o candidato a deputado federal Alexandre Pereira foi cancelada?

Campanha defende representantes da região

Na apresentação oficial de “A Força do Voto”, publicada em 18 de agosto, o Jornal de Jundiaí afirma que a Região Metropolitana estaria há 12 anos sem representantes eleitos para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados.

O próprio grupo explica que, durante junho e julho, o programa Bastidores da Política, apresentado por Itamar Gonçalves, recebeu pré-candidatos, ex-vereadores, ex-prefeitos, prefeitos e presidentes de partidos.

Mais do que isso, a campanha afirma que pretende estimular a população a conhecer as propostas dos candidatos, participar dos debates e comparar ideias antes de votar.

É justamente diante dessa proposta que o caso envolvendo Alexandre Pereira merece esclarecimentos.

Dois depoimentos chamam atenção

No dia 24 de agosto, a página do Jornal de Jundiaí no Instagram publicou um vídeo da campanha com o depoimento de Adilson Pereira, apresentado na publicação como integrante do União Brasil.

No vídeo, Adilson defende a eleição de representantes locais e afirma que a região estaria há mais de 12 anos sem deputados estaduais ou federais.

Também declara que Jundiaí e região estariam votando em candidatos de fora e chega a afirmar:

“Doze anos sem emenda para a nossa região.”

Três dias antes, segundo as publicações apresentadas à nossa reportagem, a mesma campanha havia divulgado um depoimento do prefeito Gustavo Martinelli, do União Brasil.

Martinelli também argumenta que a região precisa voltar a eleger seus próprios representantes e afirma que a ausência de deputados teria provocado perda de recursos que poderiam beneficiar entidades, o Hospital São Vicente e diferentes áreas do município.

O prefeito defende que Jundiaí tenha “vez e voz” na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.

A defesa da representatividade regional é válida.

O problema aparece quando confrontamos algumas dessas declarações com a história política recente de Jundiaí.

Afinal, foram mesmo 12 anos “sem emendas”?

A afirmação de que teriam sido 12 anos sem emendas para a região não corresponde ao que mostram documentos oficiais da Assembleia Legislativa.

Alexandre Pereira exerceu mandato como deputado estadual e destinou recursos para diferentes instituições de Jundiaí.

Documentos oficiais relacionados às emendas parlamentares registram, por exemplo, R$ 700 mil destinados à Ateal e R$ 300 mil ao Hospital Universitário da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Em outros registros aparecem recursos destinados ao Instituto Luiz Braille, Amarati, APAE de Jundiaí, Bem-Te-Vi e Lar Anália Franco, entre outras instituições.

Portanto, pode existir uma discussão sobre Jundiaí não ter conseguido eleger diretamente determinados representantes durante parte desse período.

Outra coisa completamente diferente é afirmar que a região passou 12 anos sem receber emendas.

Os documentos mostram que houve recursos destinados a Jundiaí durante o mandato de Alexandre Pereira.

E onde está Alexandre Pereira em “A Força do Voto”?

É justamente aqui que surge a principal contradição que merece esclarecimento.

Alexandre Pereira é candidato a deputado federal pelo Solidariedade e possui trajetória política diretamente relacionada a Jundiaí.

Segundo informação apresentada à nossa reportagem, Alexandre teria sido convidado ou teria uma entrevista acertada com a Rádio Difusora, mas posteriormente a participação foi cancelada sob a justificativa de falta de espaço na grade de programação.

Se a campanha “A Força do Voto” pretende justamente incentivar o eleitor a conhecer e comparar os candidatos da Região Metropolitana, a situação provoca uma pergunta inevitável:

por que faltou espaço justamente para Alexandre Pereira?

Não estamos defendendo que o Jornal de Jundiaí ou a Rádio Difusora sejam obrigados a apoiar Alexandre.

Muito pelo contrário.

Jornalismo não deve existir para apoiar candidato A ou candidato B.

O que precisa existir é pluralidade e transparência nos critérios editoriais.

Uma coincidência política que merece ser observada

Outro elemento chama atenção.

Dois dos depoimentos recentes apresentados dentro da campanha foram de pessoas identificadas com o União Brasil, incluindo o próprio prefeito Gustavo Martinelli.

Isso, isoladamente, evidentemente não comprova favorecimento político.

Também é perfeitamente legítimo entrevistar integrantes do União Brasil, assim como representantes de qualquer outro partido.

Mas, diante do cancelamento relatado da entrevista de Alexandre Pereira, surge uma questão objetiva: os candidatos e partidos estão recebendo oportunidades equivalentes dentro da campanha?

A pergunta se torna ainda mais importante em pleno período eleitoral.

O eleitor precisa conhecer todos

O próprio Jornal de Jundiaí afirma, na apresentação de “A Força do Voto”, que o eleitor deve conhecer, questionar e comparar as ideias dos candidatos antes de escolher seu voto.

Concordamos.

Mas para comparar é preciso conhecer.

E para conhecer é necessário que diferentes vozes tenham oportunidade de falar.

Alexandre Pereira não precisa receber tratamento privilegiado.

Precisa apenas que os mesmos princípios defendidos pela campanha sejam aplicados também a ele e aos demais candidatos da região.

Se houve falta de espaço na programação, cabe perguntar:

uma nova data foi oferecida a Alexandre?

Quais candidatos a deputado federal e estadual já foram entrevistados?

Quais ainda serão?

Existe um calendário ou critério objetivo para selecionar os participantes?

Todos terão oportunidade semelhante antes das eleições?

São perguntas que podem ser respondidas pelo Jornal de Jundiaí e pela Rádio Difusora.

Representatividade também precisa reconhecer a história

Existe ainda uma questão maior.

Quando se afirma que Jundiaí perdeu recursos por não possuir representantes, é preciso tomar cuidado para não apagar da memória política aqueles que efetivamente destinaram recursos para a cidade.

Alexandre Pereira pode ser apoiado ou rejeitado pelo eleitor. Isso faz parte da democracia.

Mas sua atuação parlamentar está registrada em documentos públicos.

Ateal, Hospital Universitário, Luiz Braille, Amarati, APAE, Bem-Te-Vi e outras instituições aparecem entre beneficiários de recursos relacionados às suas emendas.

Por isso, uma campanha que pretende discutir “A Força do Voto” também tem a responsabilidade de tratar a história política regional com precisão.

Defender representantes de Jundiaí é importante.

Dar oportunidade para que os candidatos apresentem suas propostas também.

Mas essa defesa ganha muito mais credibilidade quando pluralidade, memória e igualdade de tratamento caminham juntas.

E enquanto o Jornal de Jundiaí e a Rádio Difusora não esclarecerem os critérios utilizados para suas entrevistas, a pergunta continuará legítima:

se “A Força do Voto” é para fortalecer os candidatos da região, por que faltou espaço para Alexandre Pereira?

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