Criado em março de 2026, o Núcleo de Ordem Urbana (NOU) vem se tornando uma das principais ferramentas da Prefeitura de Jundiaí para enfrentar problemas que durante muito tempo foram tratados separadamente por diferentes setores da administração municipal.
A proposta é reunir, em uma mesma operação, segurança pública, assistência social, saúde, fiscalização e limpeza urbana.
Na prática, quando as equipes chegam a uma região, a atuação pode envolver desde a abordagem de pessoas em situação de rua até a retirada de materiais acumulados em espaços públicos, fiscalização de estabelecimentos, identificação de riscos sanitários e apoio das forças de segurança.
O núcleo surgiu diante de problemas como ocupações irregulares de áreas públicas, aumento da população em situação de rua, tráfico de drogas, comércio irregular de sucatas, questões de saúde pública e necessidade de limpeza e manutenção dos espaços urbanos.
Trabalho começou em março
A primeira operação divulgada pela Prefeitura aconteceu no dia 3 de março, nas regiões da Ponte São João e Jardim São Camilo.
Na ocasião, profissionais do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) realizaram atendimentos individualizados, oferecendo acolhimento na rede socioassistencial e possibilidade de recâmbio para pessoas provenientes de outros municípios.
Ao mesmo tempo, outras equipes atuaram na limpeza dos locais, retirada de materiais, fiscalização de estabelecimentos e identificação de possíveis riscos à saúde pública.
A proposta anunciada desde o início era que as operações não fossem pontuais. Segundo a Prefeitura, o trabalho passaria a ocorrer semanalmente.
Ações chegaram a diferentes bairros
Em pouco mais de dois meses, o Núcleo já havia realizado operações em pelo menos oito bairros: Jardim São Camilo, Jardim Novo Horizonte, Ponte São João, Vila Esperança, Vila Ana, Jardim Fepasa, Ivoturucaia e Jardim do Lago.
Algumas regiões receberam as equipes mais de uma vez, de acordo com as demandas identificadas pelo poder público.
As operações envolvem principalmente a Guarda Municipal e equipes das áreas de Assistência e Desenvolvimento Social, Infraestrutura e Serviços Públicos e Segurança Pública, além da participação ou apoio de outros órgãos e das polícias Militar e Civil.
Abordagem de pessoas em situação de rua
Um dos pontos que mais chama atenção na atuação do Núcleo é justamente a presença de pessoas em situação de rua nas áreas atendidas.
Mas a operação não se resume à retirada de objetos ou à desocupação dos espaços.
Na Ponte São João e Vila Joana, por exemplo, uma operação realizada em 26 de março resultou no atendimento de 22 pessoas em situação de rua — 16 homens e seis mulheres.
Segundo a Prefeitura, uma pessoa optou por deixar a cidade de trem, duas foram encaminhadas ao CAPS AD, destinado ao atendimento relacionado a álcool e outras drogas, e outra foi encaminhada ao Centro POP.
Isso demonstra uma característica importante do modelo: enquanto uma equipe atua no ordenamento do espaço público, profissionais da assistência social realizam abordagem, orientação e encaminhamento.
Nova fase mira ferros-velhos
Em agosto, o Núcleo entrou em uma nova fase.
Depois de fazer um balanço das ações realizadas no primeiro semestre, a Prefeitura anunciou que uma das prioridades passaria a ser a fiscalização de ferros-velhos e estabelecimentos que comercializam sucatas.
A preocupação envolve tanto estabelecimentos sem documentação regular quanto a possível comercialização de materiais de origem criminosa.
Entre janeiro e julho, oito dos 16 estabelecimentos cadastrados no município foram fiscalizados. Seis apresentaram irregularidades e dois estavam em processo de regularização ou atualização cadastral.
Entre os problemas encontrados estavam ausência de Inscrição Municipal, documentação relacionada à segurança contra incêndios e documentos dos imóveis.
Operações continuam
A atuação mais recente divulgada pela Prefeitura aconteceu no dia 25 de agosto, na Praça José Corrêa de Mamede, na Vila Argos, em uma área próxima ao Rio Guapeva, entre a Rua Prudente de Moraes e a Avenida Dr. Cavalcante.
Participaram equipes da limpeza pública, assistência social e Guarda Municipal.
No local foram retirados carrinhos de supermercado, colchões, pedaços de móveis e outros materiais utilizados na montagem de abrigos improvisados.
Além da desocupação do espaço, a Prefeitura afirma que as ações procuram evitar acúmulo de água, proliferação do mosquito da dengue, presença de ratos e outros problemas relacionados à saúde pública.
Segurança e assistência na mesma operação
Talvez essa seja a principal diferença do Núcleo de Ordem Urbana em relação a operações tradicionais de fiscalização.
Em vez de enviar apenas a Guarda Municipal ou uma equipe de limpeza, a proposta é colocar diferentes serviços públicos no mesmo local.
De um lado está a obrigação do município de preservar praças, calçadas, áreas verdes e outros espaços de uso coletivo.
Do outro está a necessidade de oferecer atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade encontradas nesses locais.
É justamente nesse equilíbrio que estará um dos principais desafios do Núcleo nos próximos meses.
A Prefeitura afirma que as operações continuarão durante o dia e também à noite, envolvendo desocupação de praças, calçadas, abrigos de ônibus e outros espaços públicos, ao mesmo tempo em que serão oferecidos serviços de assistência e acolhimento.
Com apenas alguns meses de existência, o Núcleo já ganhou espaço na estratégia de segurança e ordenamento urbano de Jundiaí.
O próximo passo será avaliar não apenas quantas operações são realizadas, mas principalmente se os locais atendidos permanecem organizados depois que as equipes deixam a região e se as pessoas em situação de vulnerabilidade conseguem efetivamente deixar as ruas.
É nesse resultado de médio e longo prazo que será possível medir a efetividade da nova política.
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